Ana Maria Machado: aprender através do riso
Ana Maria Machado é uma das escritoras brasileiras mais importantes da literatura infantil e juvenil. Nascida no Rio de Janeiro, ela construiu uma obra ampla, traduzida, premiada e marcada por algo raro: falar com crianças sem diminuir a inteligência delas. Seus livros costumam unir humor, ritmo, crítica social, imaginação e uma confiança profunda na capacidade do leitor jovem de perceber nuances.
A autora não trata a infância como espaço de ingenuidade vazia. Em suas histórias, crianças observam o mundo, fazem perguntas, desconfiam de autoridades, brincam com palavras e descobrem que a realidade pode ser mudada quando alguém aprende a nomeá-la. A leitura aparece como exercício de liberdade.
Essa visão explica sua importância na formação de gerações de leitores. O texto pode parecer leve, mas quase nunca é superficial. Brincadeiras, repetições, personagens curiosos e situações engraçadas costumam abrir espaço para temas como justiça, diferença, autonomia, memória, afeto e desigualdade.
A força de sua carreira também vem da variedade. Ela escreveu para crianças, jovens e adultos, trabalhou com jornalismo, tradução, ensaio, ficção e reflexão sobre leitura. Esse percurso impede que sua obra seja vista apenas como literatura escolar. Ela pertence à escola, à biblioteca, à casa, à memória familiar e à história literária brasileira.
Ler seus livros é perceber que simplicidade não significa empobrecimento. Uma frase clara pode carregar crítica. Uma história curta pode abrir uma conversa longa. Uma personagem infantil pode enxergar aquilo que muitos adultos preferem esconder.

Obras e vida — Perfil de Ana Maria Machado
- Nome completo e pseudônimos: Ana Maria Martins Machado; escreve como Ana Maria Machado.
- Nascimento e morte: Nascida em 24 de dezembro de 1941, no Rio de Janeiro; viva.
- Nacionalidade: Brasileira.
- Pai e mãe: Mário de Sousa Martins e Diná Almeida de Sousa Martins.
- Esposa ou Marido: Casada com o músico Lourenço Baeta; anteriormente casada com o médico Álvaro Machado.
- Filhos: Rodrigo Machado, Pedro Machado e Luísa Martins Baeta Bastos.
- Movimento Literário: Literatura infantil e juvenil brasileira com fortes correntes cívicas e pedagógicas.
- Estilo de Escrita: Clareza antes do floreio, ritmo pronto para ser lido em voz alta, objetos que carregam significado, finais que culminam em ação.
- Influências: Monteiro Lobato, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Gianni Rodari, Ruth Rocha, Lygia Bojunga.
- Prêmios e reconhecimentos: Prêmio Hans Christian Andersen de Literatura Infantil e Juvenil 2000; Prêmio SM Ibero-Americano 2012; vários Prêmios Jabuti; membro e ex-presidente da Academia Brasileira de Letras.
- Adaptações de suas obras: Adaptações para o teatro e para escolas de livros ilustrados e títulos para o ensino fundamental; leituras transmitidas pela rádio e projetos em sala de aula.
- Controvérsias ou desafios: Trabalhou durante os anos da ditadura no Brasil, equilibrou jornalismo e escrita e defendeu políticas e acesso à leitura.
- Carreira fora da escrita: Jornalista, editora, educadora, fundadora de livraria e organizadora cultural.
- Ordem de leitura recomendada:
- 1. Menina Bonita do Laço de Fita
- 2. Bisa Bia, Bisa Bel
- 3. Era uma Vez um Tirano
- 4. Do Outro Mundo
Perfil rápido
A trajetória da escritora reúne literatura, educação, jornalismo, artes visuais e atuação cultural. Formada em Letras, ela também estudou pintura, trabalhou como professora e viveu anos de exílio durante a ditadura militar. Essa experiência internacional ampliou seu contato com línguas, teorias literárias e debates sobre cultura. Mais tarde, sua presença no Brasil ajudou a fortalecer projetos de leitura e circulação de livros.
O perfil público da autora combina duas imagens que raramente convivem com tanta naturalidade. De um lado, há a intelectual reconhecida, integrante da Academia Brasileira de Letras e vencedora de prêmios nacionais e internacionais. De outro, existe a narradora próxima do leitor, capaz de escrever com graça, oralidade e ritmo sem transformar o livro em lição pesada. A autoridade literária não apaga a conversa viva.
Seu reconhecimento internacional ganhou força com o Hans Christian Andersen Award, uma das maiores distinções mundiais da literatura infantil. Esse prêmio confirma algo que leitores brasileiros já sabiam: sua obra atravessa fronteiras porque trata a criança como sujeito completo, não como público menor.
Também é importante notar sua atuação como defensora da leitura. A escritora sempre vinculou literatura, cidadania e imaginação. Para ela, livros não servem apenas para decorar conteúdos ou cumprir tarefas escolares. Servem para ampliar repertório, criar perguntas e abrir caminhos de expressão.
Esse perfil ajuda a entender por que sua obra permanece tão lida. Ela une prestígio e acessibilidade, reflexão e brincadeira, experiência adulta e escuta verdadeira da infância.
Infância, formação e exílio
A infância no Rio de Janeiro, a formação em Letras e o contato com artes visuais ajudaram a criar uma escritora muito atenta ao ritmo, à imagem e à força concreta das palavras. Antes de se firmar como nome central da literatura infantil, ela passou por diferentes campos culturais. Essa formação múltipla aparece na forma como seus livros combinam narrativa, jogo verbal, observação social e senso visual.
O período de exílio também foi decisivo. Viver fora do Brasil durante a ditadura significou perda, distância e reinvenção, mas abriu contato com outros ambientes intelectuais. A passagem pela França e os estudos ligados à linguagem deram à autora ferramentas críticas que mais tarde apareceriam de modo natural em sua escrita. A experiência política virou atenção à liberdade.
Essa ligação entre vida e obra não deve ser lida de forma mecânica. Os livros não são simples espelhos biográficos. Ainda assim, muitos deles carregam uma desconfiança diante de autoritarismos, verdades prontas e modelos rígidos de comportamento. Crianças e jovens surgem frequentemente como figuras capazes de enxergar brechas onde adultos veem apenas regra.
A formação como jornalista também contribuiu para uma escrita direta. A frase tende a buscar clareza, movimento e comunicação rápida. Mesmo quando o tema é complexo, o texto prefere abrir portas a construir muros.
Por isso, sua literatura infantil não nasceu de uma visão decorativa da infância. Nasceu de uma relação intensa com linguagem, história, política e educação. A leveza veio depois, como conquista formal. Escrever com clareza, nesse caso, é uma escolha estética e ética.
Livros que pensam brincando
Muitos livros da autora começam com uma situação simples, quase cotidiana, e crescem por meio do jogo. Uma pergunta, uma inversão, um objeto, uma conversa familiar ou uma expressão popular podem abrir a narrativa. A criança entra pelo prazer da história, mas logo encontra algo a mais: uma mudança de olhar.
Esse é um dos traços mais fortes de sua obra. A brincadeira nunca fica separada do pensamento. Ela permite falar de preconceito, desigualdade, autonomia, memória e poder sem transformar o texto em discurso fechado. O humor ajuda a desmontar certezas. A fantasia cria espaço para imaginar alternativas.
👉 Menina Bonita do Laço de Fita de Ana Maria Machado mostra bem essa combinação. A história é simples, ritmada e afetuosa, mas toca questões de beleza, identidade, admiração e diferença. O encanto do coelho pela menina negra abre uma conversa que vai muito além da superfície da narrativa. O livro se tornou importante justamente porque trabalha representatividade com leveza, sem perder força simbólica.
A autora costuma confiar na inteligência da repetição. Frases que retornam, estruturas circulares e diálogos musicais ajudam a criança a participar da leitura. Quem escuta pode antecipar, rir, responder e lembrar. A oralidade aproxima o texto do corpo.
Essa escrita também explica por que muitos livros funcionam tão bem em voz alta. O ritmo não serve apenas para embelezar. Ele organiza a experiência de leitura. A criança percebe a história com ouvido, memória e imaginação. Assim, a literatura vira encontro, não apenas página impressa.
Longa prática, toque leve, boas-vindas que perduram
Os livros posteriores trazem a facilidade de um escritor que ainda escuta. Os enredos parecem simples, mas florescem depois que as luzes se apagam, quando o leitor repete uma escolha. A clareza antes do floreio continua sendo a regra; as surpresas vivem na perspectiva, não na astúcia. Um capítulo que pertencia à criança ousada se inclina para um amigo tímido; a lição se torna mútua.
As formas se alternam sem esforço. Os livros ilustrados transformam grandes sentimentos em imagens que funcionam — um nó para desatar, uma sombra para fazer amizade. Os contos para o ensino fundamental testam a responsabilidade com desafios escolares que parecem reais na segunda-feira de manhã. As leituras em família oferecem piadas sutis para adultos que nunca confundem os jovens ouvintes. O maravilhoso ainda aparece, mas tem boas maneiras.
Os papéis públicos nunca atrapalham o dia de escrita. Festivais, workshops e pilhas de cartas de crianças se tornam notas de campo; o rascunho de amanhã responde à sala de aula de hoje. O respeito pelo leitor permanece central — sem repreensões, sem atalhos, sem encheção de linguiça.
O que permanece é uma autoridade gentil. A voz sorri e depois espera. Uma criança tenta, erra, tenta novamente e encontra uma regra melhor que pode seguir. Os finais chegam com ações, não com discursos: um brinquedo devolvido, um lugar compartilhado, uma verdade dita com calma. É por isso que esses livros envelhecem bem. Eles deixam a coragem em lugares acessíveis e continuam sendo bem-vindos para o próximo leitor que precisar de uma mãozinha e de um jogo justo.
Movimento e colegas – aprender através do riso
Ana Maria Machado faz parte da onda de literatura infantil e juvenil do final do século XX no Brasil, que tratava as crianças como pensadores, não alvos. Ao lado de Ruth Rocha e Lygia Bojunga, ela ajudou a transformar salas de aula e salas de estar em mini praças públicas onde brincar poderia ter um significado cívico. Internacionalmente, ela compartilha afinidades com a coragem moral de Astrid Lindgren e os jogos combinatórios de Gianni Rodari, mas seu tom permanece inconfundivelmente brasileiro.
Os temas se entrelaçam em vez de se acumularem. Primeiro, brincar com propósito: um enigma abre uma porta, mas a solução é a cooperação. Segundo, viagem no tempo em família: avós e futuros filhos compartilham o mesmo espaço para que tradição e mudança possam ser negociadas com tranquilidade. Para um romance adulto semelhante, onde a filosofia se encontra com as escolhas diárias, veja 👉 Os Mandarins, de Simone de Beauvoir; a comparação esclarece como Machado mantém as questões éticas aquecidas, concretas e compartilháveis.
Os colegas são importantes para o método. Ilustradores, bibliotecários, professores e tradutores formam uma ecologia artesanal em torno de suas páginas. Seus ciclos de feedback moldam o ritmo, as viradas de página e o momento preciso em que uma piada dá lugar a uma escolha. Com tudo isso, seus livros protegem os leitores tímidos sem aprisionar os ousados. Essa é a assinatura discreta: prosa acolhedora, limites visíveis e finais que levam a algo que uma criança pode fazer amanhã.

Livros famosas de Ana Maria Machado em ordem cronológica
- 1979 — História Meio ao Contrário; livro infantil. Um conto de fadas contado “ao contrário” para questionar hábitos e poder; a forma lúdica serve à justiça.
- 1980 — Do Outro Lado Tem Segredos; novela para jovens leitores. A infância e as memórias do litoral ensinam identidade por meio de pequenos atos de coragem.
- 1982 — Bisa Bia, Bisa Bel. Uma menina conversa com sua bisavó e sua descendente futura imaginária; a família se torna uma orientação, não uma prisão.
- 1982 — Era uma Vez um Tirano. Três crianças enganam um tirano que proíbe a alegria; coragem cívica em escala escolar.
- 1986 — Menina Bonita do Laço de Fita. Um clássico de ternura sobre afeto, diferença e pertencimento; perfeito para ler em voz alta.
- 1988 — Tropical Sol da Liberdade. Um romance adulto sobre ditadura, exílio e retorno; o amor privado encontra a história pública.
- 1999 — A Audácia Desta Mulher. Saga familiar com várias vozes que investiga classe, gênero e memória nacional; interesses íntimos, amplo eco.
- 2002 — Do Outro Mundo. Um menino faz amizade com o fantasma de uma vítima do Holocausto; a história entra na vida cotidiana por meio da curiosidade compartilhada.
- 2007 — Mensagem Para Você. Mensagens que atravessam séculos transformam crianças em pesquisadores; o trabalho em equipe torna o conhecimento um jogo.
O que ensinou o jogo a ser justo
O conjunto de ferramentas de Ana Maria Machado cresce a partir de salas de aula, redações e contadores de histórias que tratam as crianças como pensadores. Ela mantém a clareza antes do floreio, deixa as imagens trabalharem e transforma a brincadeira com propósito em uma regra do ofício.
- Monteiro Lobato: Agência infantil e linguagem coloquial; histórias que colocam a curiosidade em primeiro lugar e permitem que os jovens leitores testem escolhas sem repreensão.
- Cecília Meireles: Atenção musical e precisão silenciosa; cadência suave que transmite grandes emoções em pequenas frases fáceis de dizer.
- Clarice Lispector: Foco interior e tensão ética; atenção antes do julgamento, que mantém a emoção exata mesmo em cenas simples.
- Ruth Rocha: Humor com estrutura; prosa fácil de ler em voz alta que respeita o ouvinte infantil e chega direta ao ponto.
- Lygia Bojunga: Cruzamentos elásticos entre memória e fantasia; permissão para deixar o maravilhoso servir à justiça e à liberdade.
- Gianni Rodari: Brincadeiras combinatórias e restrições inventivas; jogos que invertem contos, mantendo regras que protegem.
Em todas essas prateleiras, ela mantém três ferramentas constantes: uma voz hospitaleira, objetos que carregam significado (uma fita, um espelho, uma porta que abre para o lado errado) e finais que chegam à ação, não à palestra. O resultado é uma página que acolhe as crianças, confia nas famílias e transforma o tempo de leitura em um ensaio para a empatia.
Quem escreve de forma diferente por causa de Ana Maria Machado
Seu sucesso deu permissão para tratar o livro ilustrado como uma mini praça pública. Você pode ouvir seu eco onde quer que as histórias misturem imaginação com uma espinha dorsal, regras que incluem e música pronta para ser cantada em voz alta.
- Ilan Brenman: Ritmo de leitura em voz alta e ética lúdica; cenas convidam as crianças a negociar a justiça com o humor intacto.
- Ana Claudia Ramos: Sentimentos familiares tratados com imagens claras e limites seguros; coragem dimensionada para os riscos do dia a dia escolar.
- Sônia Rosa: Justiça e pertencimento cotidianos; respeito pelo leitor ao falar sobre identidade, história e cuidado.
- Tino Freitas: Brincadeira, participação e escolha do livro como objeto; jogos que ensinam sem se transformar em palestras.
- Patricia Auerbach: Páginas viradas para despertar a curiosidade; pistas visuais e verbos claros que mantêm os leitores tímidos dentro do círculo.
- Eva Furnari: Invenção cômica e sagacidade visual; fantasia que protege a gentileza e permite que as regras protejam a diversão.
Editores, professores e bibliotecários ecoam a postura: convidar todos a participar, manter limites gentis e visíveis e deixar que objetos comuns transmitam a lição. A linha condutora é prática e generosa. Uma piada abre a porta. Uma regra mantém a sala segura. Uma pequena decisão — devolver um brinquedo, compartilhar um assento, dizer a verdade — encerra a história com justiça que você pode usar amanhã.
Salas onde a brincadeira se transforma em insight
Ana Maria Machado fala com uma voz hospitaleira. O narrador soa como um adulto de confiança que se senta na beira do tapete, não em um pódio. A primeira pessoa e a terceira pessoa próxima aparecem, mas a distância permanece baixa. As crianças se identificam com as falas. Os adultos se sentem convidados, nunca repreendidos. O diálogo tem peso, mas o mesmo acontece com as silenciosas indicações de palco, os pequenos detalhes que mostram como uma cadeira é compartilhada ou um brinquedo é devolvido.
O ponto de vista permanece próximo a uma única criança ou a um grupo compacto. Esse foco permite que os sentimentos se tornem fatos: um nó no estômago se transforma em uma escolha, um rubor se torna uma pista. O tempo geralmente se move em arcos curtos que cabem em uma tarde ou em uma viagem de ônibus. Os flashbacks chegam como instantâneos rápidos e claros, em vez de longos desvios.
As cenas tendem a começar com uma ação ou um objeto concreto. Uma fita, uma porta, um espelho, um bilhete que desapareceu. O objeto ancora a emoção e mantém a questão moral prática. Nos finais, ela evita discursos. Em vez disso, a ação encerra a lição: a verdade é dita, o lugar é compartilhado, o erro é reparado. Essa contenção permite que as famílias conversem depois que as luzes se apagam.
Três hábitos artesanais retornam livro após livro: clareza antes do floreio, brincar com propósito e virar as páginas onde a curiosidade naturalmente atinge o auge. Esses movimentos protegem os leitores tímidos e desafiam os ousados.
Frases que deixam espaço para imagens
A linha é simples, depois surpreendente. Frases curtas estabelecem segurança. Uma imagem nítida inclina a sala. Sintaxe simples, imagens precisas é a dupla orientadora. Os verbos fazem a maior parte do trabalho, para que o significado não oscile quando lido em voz alta. Quando os sentimentos aumentam, as frases se alongam apenas o suficiente para carregar a onda e, em seguida, retornam a batidas limpas que dão as boas-vindas aos novos leitores de volta ao interior.
As imagens começam na mão. Fitas, bolsos, cadernos, portas que se abrem de maneira inesperada. Essas coisas nunca são decorações vazias. São objetos funcionais que permitem que as crianças passem do sentimento à ação. Como a prosa é espaçosa, os ilustradores podem adicionar humor, pistas e histórias paralelas nas margens. O texto e a imagem cooperam. A linha recua, a imagem avança e a página ensina sem sermões.
O tom fica em um meio-termo cuidadoso: caloroso, sem ser meloso; firme, sem ser severo. As piadas chegam logo no início para relaxar o ambiente. As consequências chegam mais tarde para protegê-lo. O erro de uma criança é levado a sério, mas a vergonha é evitada. Os adultos estão presentes, mas a ação pertence à criança. Quando o maravilhoso aparece, ele se comporta. Um animal falante incentiva a dizer a verdade.
A repetição ajuda a memória. Frases-chave retornam como alças que os jovens leitores podem agarrar. O jogo de sons funciona silenciosamente sob o significado, com aliteração e rima interna suave. Nada bloqueia a compreensão. Tudo facilita o caminho para uma escolha. É por isso que os livros viajam tão bem pelas salas de aula e salas de estar.

Frases famosas de Ana Maria Machado
- “Contar aos outros o que aconteceu é crucial para nossa sobrevivência como um todo.” A narrativa preserva a memória, e a memória protege a ética. As histórias transformam a experiência privada em conhecimento compartilhado. As crianças aprendem que ouvir é um ato cívico.
- “Os livros não são escritos para serem apenas espelhos, mas janelas.” A literatura deve ampliar a visão do leitor, não prendê-la. As salas de aula precisam de histórias que vão além do familiar. A curiosidade cresce quando olhamos para fora e para dentro.
- “Precisamos contar e ouvir histórias. Quanto mais, melhor.” Assim a prática é importante. Ler em voz alta cria ritmo, confiança e pertencimento. Encontros frequentes tornam a reflexão um hábito, não uma tarefa.
- “O que leva uma criança a ler, em primeiro lugar, é o exemplo.” O exemplo supera as palestras. Mas cuidadores que leem definem o tom para o lar. Professores que leem sinalizam que os livros valem nosso tempo.
- “Quando leio, estou sempre estabelecendo algum tipo de relação entre diferentes épocas e culturas.” Certamente cada página é uma ponte. As comparações aguçam o julgamento e a empatia. A tradução se torna uma ferramenta para conhecer bem os outros.
- “Os livros infantis caminham sempre na corda bamba.” A arte e a pedagogia devem estar em equilíbrio. Pregar quebra o encanto; a arte mantém-no. Respeitar o leitor infantil é a regra.
Curiosidades sobre Ana Maria Machado
- Membro da academia literária do Brasil: Ela ocupa a Cátedra 1 da Academia Brasileira de Letras e atuou como sua presidente; a biografia da Academia confirma datas e detalhes.
- Maior honraria internacional: Ela recebeu o 🌐 Prêmio Hans Christian Andersen em 2000, o maior reconhecimento da área pela trajetória na literatura infantil; a IBBY a lista entre os vencedores
- Pioneira em livrarias: Mas ela foi cofundadora da Malasartes, uma das primeiras livrarias do Brasil dedicada a livros infantis, transformando o espaço de varejo em um centro comunitário de leitura.
- Jornalismo como campo de treinamento: Assim os anos nas redações moldaram suas frases com propósito e sua capacidade de explicar grandes sentimentos em pequenas linhas fáceis de dizer.
- Um livro ilustrado que viaja: Menina Bonita do Laço de Fita alcançou leitores em todo o mundo na tradução como Nina Bonita: A Story, frequentemente usado em salas de aula para falar sobre afeto e pertencimento.
- Família através do tempo: Bisa Bia, Bisa Bel tornou-se Me in the Middle em inglês e é estudado pela maneira como permite que uma criança negocie vozes do passado e do futuro.
- Leituras complementares para adultos, ética sob pressão: Se você deseja um clássico de viagem não ficcional sobre coragem e habilidade, combine-o com 👉 Terra dos Homens, de Antoine de Saint-Exupéry.
- Outro vizinho filosófico: Para questões sobre tempo, escolha e responsabilidade na ficção adulta, experimente 👉 Todos os homens são mortais de Simone de Beauvoir.
Por onde começar
A melhor entrada na obra depende da idade e do objetivo da leitura. Para crianças pequenas, os livros mais ritmados e visuais funcionam muito bem. Eles permitem leitura compartilhada, conversa, riso e repetição. Afinal para leitores em formação, obras que brincam com estrutura e ponto de vista ajudam a perceber como uma história pode questionar expectativas.
Quem quer começar por um título muito conhecido pode escolher Menina Bonita do Laço de Fita. A narrativa é acessível, afetiva e forte para conversar sobre beleza, diferença e admiração. Também vale seguir para História Meio ao Contrário, especialmente quando o interesse está no jogo com contos tradicionais e na inversão de papéis.
Assim leitores um pouco mais velhos podem procurar Bisa Bia, Bisa Bel, pela relação entre memória, família e identidade feminina. Mas para adultos, Tropical sol da liberdade mostra outra dimensão da autora, mais ligada à história política, ao exílio e à reconstrução da experiência pessoal. A ordem ideal pode acompanhar o crescimento do leitor.
Geralmente essa variedade é uma das riquezas de sua produção. A obra permite começar pelo encantamento infantil, seguir pela crítica social e chegar a romances mais densos. Mas em todos os casos, permanece a confiança na linguagem.
Ler Ana Maria Machado é descobrir que livros para crianças podem ser alegres, inteligentes e politicamente atentos ao mesmo tempo. Eles não precisam escolher entre prazer e profundidade. Ao contrário, mostram que uma boa história forma leitores justamente porque diverte, inquieta e abre espaço para novas perguntas.
Resumo e próximos passos
Mas Ana Maria Machado oferece às famílias e escolas um kit de ferramentas claro e acolhedor. As histórias parecem leves, mas as escolhas são importantes. Os objetos fazem um trabalho constante, então a ética permanece prática. Afinal a voz é hospitaleira, o ritmo é pronto para ser lido em voz alta e os finais preferem a ação em vez da palestra. Essa combinação explica tanto a longevidade na sala de aula quanto as viagens internacionais.
Comece com um livro ilustrado curto e leia-o em voz alta duas vezes. Na primeira vez, aproveite a brincadeira. Na segunda, faça uma pergunta calma sobre justiça. Em seguida, experimente um livro com capítulos compactos. Observe como a ação pertence à criança, enquanto os adultos mantêm a sala estável. Geralmente se quiser comparar texturas, adicione um romance adulto à sua lista e observe como pressões morais semelhantes se comportam entre os adultos.
Mantenha uma prática simples. Coloque a clareza antes do floreio. Convide a admiração que se comporta. Deixe as regras protegerem, não punirem. Use a repetição como uma ferramenta amigável. Afinal quando uma página chegar a uma pequena ação, nomeie-a e pratique-a amanhã. É assim que a literatura se torna um hábito diário.
A partir daqui, você pode expandir para fora. Monte um conjunto para a sala de aula, organize uma noite de leitura em voz alta com a família ou combine uma história com um projeto comunitário. O objetivo não é velocidade ou volume.